quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Meu pai...

Essa foto foi tirada em janeiro de 2006, ele faleceu em dezembro do mesmo ano.


Certa vez um amigo, me disse que as palavras tem muito poder e me contou sua experiência com suas constantes reclamações de que andava trabalhando demais e que seu sonho era ficar em casa pelo menos uns 3 meses sem fazer nada. Passado algum tempo fora acometido por um câncer e teve não só os 3 meses mas muito mais tempo de repouso para se tratar, fazer quimios, etc...

Ao ouvir o que ele disse lembrei de mim.

Meu pai faleceu em dezembro de 2006, 12 dias antes de seu aniversario, ele completaria 61 anos. Logo após seus 50 anos meu pai, um homem lindo, ativo, alegre, adorava esporte, começou a ter comportamentos que, para qualquer um passa por simples esquecimento, distração. Era Mal de Alzheimer. Imagina um homem jovem ainda com 50 e poucos anos com Alzheimer, ninguém acredita, primeiro porque o físico dele não correspondia com o de uma pessoa doente, afinal de contas ele parecia “normal”, claro o Alzheimer e uma demência e não há sinais físicos, mudanças na aparência que possam constata-lo. Assim foi, por longos anos, começou com pequenos esquecimentos, que foram crescendo, e o que antes só causava problemas a ele mesmo ou a família foi tomando outras proporções, e não há como vc conter tais atitudes do doente, pois chega um momento em que eles se tornam agressivos. Ele foi um pai maravilhoso, e para mim foi muito triste ver toda a evolução da sua doença e seu fim. Certa vez eu estava trabalhando e minha mãe telefonou para dizer o que meu pai tinha aprontado, fiquei tão triste e chocada que meu chefe percebeu e indagou. Na mesma hora disse que o Alzheimer era a pior doença do mundo, que meu pai sempre tinha sido tão honesto e bacana a vida toda que não merecia isso. Disse que toda a família sofria e que eu jamais queria ter Alzheimer, que eu preferia ter câncer.

Ai esta o poder da palavra, talvez tenha sido isto, ou não, vai saber, mas me lembrei dessa historia, tive saudades dele e resolvi contar.

Um abraço,

Thais

2 comentários:

A grande batalha! disse...

Falar sobre o câncer falo sem problema algum, tenho isso muito bem resolvido, já falar sobre o Alzheimer me dá um tremendo nó na garganta.

Marilisa Peeters disse...

É, sei como te sentes...
Aconteceu mais ou menos assim comigo tb.
Eu e uma amiga 'queríamos' emagrecer e, de brincadeira a gente disse:-Ah, vamos arrumar um câncer prá ver se a gente emagrece...e demos risadas.
Uns 3 meses depois descobri o meu e ela uns 6 meses depois de mim.
Também criei um blog, dá uma espiada lá:
http://pensoinsisto.blogspot.com
Saúde e força.
bjs,
Marilisa