terça-feira, 28 de abril de 2009

Não sei...

Não sei...
Cora Coralina

Não sei... se a vida é curta
ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,











Braço que envolve,


















Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
























Alegria que contagia,




















Lágrima que corre,


















Olhar que acaricia,





















Desejo que sacia,
Amor que promove,
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura... enquanto durar.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Quando acontece!

Quanto tempo!!!
São aqueles períodos que já expliquei aqui...
Semana passada tomei conhecimento da morte de uma moça, que eu mal conhecia, mas que seus depoimentos na comunidade Contra o Câncer de Mama no ORKUT muito me comoviam e ajudavam.
É estranho como isso nos choca, uma jovem da mesma idade que eu, com uma filha pequena, lutou até o fim, não gosto de dizer que a doença venceu, creio que chegou a sua hora e espero que ela tenha ido em paz, mas essa notícia para mim veio como uma bomba!
Caramba, como isso pôde acontecer, ela lutou tanto...
Mas aconteceu, e a gente nunca está preparado para aceitar, sei e todos nós sabemos que a única certeza de que temos na vida é a de que um dia, veja bem, um dia... vamos morrer, não assim aos 20, 30 anos!
São coisas que nos levam a reflexão.
Até mais,

Thaís

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Meus novos vizinhos

Como já disse a vocês, me mudei para outra cidade, Guararema (fica a uns 80 Km de SP mais ou menos), onde passei minha infância, antes estava morando em São Paulo. A internet aqui onde moro ainda é discada, porém a vizinhança compensa.
Essa foto é do meu quintal, e acreditem, eles aparecem em bando já vi 5 deles juntos, além dos lagartos, jaguatiricas e outras espécies comuns aqui.
Confesso que amo aquela agitação de SP, sinto falta, mas a qualidade de vida daqui é bem melhor e meus filhos podem viver com mais liberdade, assim como eu vivi.



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O Hospital

Volta e meia tenho de voltar ao hospital, coisa de rotina, exames, consultas, enfim... hoje foi mais um desses dias, depois de uns 2 meses sem ir lá.
Engraçado como ainda me espanto ao ver certas coisas, não sei se todas vocês que passam pelo mesmo se chocam, nem é todo dia também que saio de lá chocada, acho que é mais uma questão de estado de espírito sabe, mas hoje foi um dia difícil. O hospital A.C. Camargo é um centro de referência no país, então lá se vê de tudo, todos os dias o hospital é lotado, às vezes nem vaga nos estacionamentos da rua têm, e olha que tem uns 5 estacionamentos... Voltando ao que eu dizia, minha consulta hoje era com o dermatologista e com o endocrinologista, ao chegar logo de cara encontrei uma mulher que chorava muito no banheiro, uma mulher que não tinha mais que 35 anos, ela lavava o rosto e voltava a chorar, lavava de novo e chorava, enquanto eu penteava meu cabelo. Não aguentei, cheguei perto dela e perguntei:
_ É vc que está doente ?
Ela respondeu com a cabeça que não.
Nessas horas não há muito o que dizer, nem eu fiquei perguntando muito quem estava doente, mas estava claro que ela acabara de receber a notícia de que alguém de quem ela gostava estava doente.
Essa notícia é como uma pancada na cara, no corpo todo, sei lá até hoje quando lembro como foi que fiquei sabendo a notícia, as lágrimas correm meu rosto.
Disse a ela, que eu tinha 29 anos quando descobri que tinha câncer e que hoje 8 meses depois, estou ótima, que era para ela ter fé, acreditar, confiar nos médicos de lá que são excelentes que tudo ia dar certo.
Ela chorou mais ainda.
Sai do banheiro e fiquei aguardando o número 086 que era minha senha para ser chamada no consultório. Enquanto eu aguardava vi duas mulheres jovens, com curativos no pescoço (provavelmente cirurgia da tireóide, suponho eu) saindo aos prantos do consultório. Não há uma maneira boa de dar uma notícia dessas, provavelmente ambas se submeteram a cirurgia e ficaram sabendo alí do resultado de suas biópsias, e claro as notícias não eram boas. Quando vejo isso tenho que me segurar muito para não chorar junto, pois sei exatamente o que elas sentem, mais ou menos como cantou a Maysa: "Meu mundo caiu!"
Outra coisa que é muito difícil para quem frequenta hospitais como nós batalhadoras, é se deparar com várias faces da doença, pessoas mutiladas que persistem lutando, jovens cheios de sonhos que tiveram suas vidas surpreendidas pelo câncer, crianças... gente, olha... não é fácil, criança então...
Vejo o olhar daquelas mães querendo gritar por socorro sem entender o por que, porque seus filhos estão passando por isso. Não há resposta, não uma que eu possa dar, há a científica, aquela dos livros médicos, mas esta resposta não é a que elas querem ouvir, nem eu.
Aliás isso é uma coisa até engraçada.
Li muitos livros de auto ajuda nesse período, e num deles, Como curar sua vida, a autora fala que toda doença está associada a algum problema emocional, no caso de problemas no seio esquerdo como foi o meu, seria problemas com homens, se fosse no direito seria com mulheres, na fase crítica em que li tudo isso cheguei até a acreditar, mas hoje pensando bem, quem é que nunca teve problemas com um homem, ou ainda com uma mulher???
Fala sério!
Às vezes penso que é melhor se ater às resposta que a medicina nos dá, ou melhor ainda, pensar que tinha que ser e pronto acabou, o que importa é daqui pra frente, mas para chegar a pensar assim, passaram-se meses. À primeira vista a notícia é uma bomba, depois, você vê que há tantos passando pelo mesmo, que há tantos que se superaram, e porque não ser mais uma a superar tudo isso?
Às vezes faço algo e sinto meu braço repuxar e penso:
_ Caramba que será isso!?
Aí logo depois lembro de tudo que aconteceu.
Com o passar do tempo parece que vira história sabe, vc tem uma lembrança daquilo e não vive mais só pensando em tudo que te aconteceu e isso é maravilhoso!
Parece que a gente volta a ser "normal" (como se isso existisse).
Aí você volta no hospital e tudo aquilo volta à sua lembrança, às vezes dá uma angústia danada relembrar tudo, outras nem tanto.
E assim vamos seguindo...
Até a próxima,

Thaís



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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Prêmio!!!


Acabo de saber que fui contemplada com o selo do Prêmio Dardos por indicação de uma pessoa muito especial para mim, minha inspiração em muitos momentos, a Dani Duran, http://contemporarycinderella.blogspot.com, que é uma batalhadora sem igual, jornalista brasileira radicada nos EUA e que tem um blog maravilhoso que ajuda muita gente. Obrigada pela indicação Dani!


"Esse prêmio visa "reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras". (Trecho retirado do blog http://contemporarycinderella.blogspot.com)
O premiado deve seguir as seguintes instruções:


- Exibir a imagem do selo em seu blog

- Linkar o blog pelo qual você recebeu a indicação

- Escolher outros 5 blogs a quem entregar o Selo Prêmio Dardos

- Avisar aos escolhidos


As premiadas são:

Blog da Clélia uma carioca, batalhadora, que muito me faz rir com seu jeito de escrever.
Blog da Eliane, outra batalhadora, que transformou a batalha em renovação.
Blog da Rúbia a mais nova batalhadora, que com certeza contribuirá e muito com sua história.
Blog da Letícia, uma amiga, que vive hoje em Angola e a descreve sem igual.
Obrigada pelo prêmio!
Até a próxima,
Thaís

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

MUDANÇAS...

Que saudades de escrever aqui... vcs nem imaginam.
Mudei de cidade e onde moro é tão tão distante que nem internet pega! Até telefone estou sem, é engraçado isso, mas é verdade, estou isolada do mundo, estou lutando para conseguir uma via rádio, assim poderei voltar a me dedicar mais ao blog.
Beijos,

Thaís

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Exames - parte II

Querid@s, não sei vocês, mas essa primeira leva de exames, depois da descoberta, da cirurgia, etc. dá um medo do cão.
Hoje fui ao hospital, passei pelo dermatologista, pois como sou muito clara, tenho muitas pintas e queria ter a certeza de que elas não vão me causar problemas. Além disso depois da cirurgia surgiu uma mancha na minha coxa, que não coça, não incomoda nem nada, mas está lá. O médico disse que pode ser reação de algum medicamento (agora saber qual foi vai ser difícil, já que tomei vários). Vamos observar, se em um mês ela não sumir, vamos ver o que fazer, quando dizem isso é fogo!
Tomei coragem e peguei meus exames de sangue e ultrassons, aparentemente normais os ultrassons, porém meu colesterol está lá na lua de tão alto, estourando o limite daquela tabelinha de referência que nós pacientes, logo aprendemos a interpretar.
Mudando de assunto, a revista época dessa semana traz uma repostagem com um grande amigo meu, o Gregório, ele tem 3 anos, o conheci na sala de exames de sangue do hospital e naquele dia eu havia ido ao hospital de metrô, pois ainda não podia dirigir e ao passar por uns camelôs comprei dois pintinhos, daqueles que vc dá corda e ele anda. Uma para cada filho meu, mas ao conhecer o Gregório dei um para ele e começou aí a nossa amizade. Na revista o chamam de Marcos, é que é Marcos Gregório, mas ele se apresenta como Gregório!




Uma criança linda, na época estava bem carequinha e gordinho, na revista ele já está com o cabelo arrepiado e mais magro. Ele estava gordinho por causa dos efeitos da quimioterapia e ele sabia de tudo, de todos remédios que tomava, dos exames que fazia, de como eram feitos esses exames, tudo. Uma criança tão madura que espanta! A avó dele incansável sempre com o maior carinho com ele. Ele vaidoso sempre combinava as roupas com o tênis e mostrava. Passei a encontrá-lo com frequência, na época em que ia dia sim dia não ao hospital, ficamos amigos, eu sempre perguntava dele e ele de mim. Um dia perguntei o que ele mais gostava e ele me disse que era miojo, e de feijão hein! Que fofo!


Link para a reportagem completa: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI18138-15257,00-A+NOVA+CARA+DO+CANCER+INFANTIL.html

Assim como outras crianças, o Gregório é um exemplo de que o câncer tem cura sim e estamos no caminho certo!
Até a próxima,

Thaís