sábado, 28 de junho de 2008

POEMA

http://br.youtube.com/watch?v=RZgH8sKsTqI

"Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba"...


Resolvi dar esse título hoje, pois era a música que estava tocando.
Muita gente que lê meu Blog deve achar que tudo é fácil, que estou tirando de letra.
Me esforço muito, mas não é bem assim, tem dias que vc cai na real e a tristeza é inevitável, por isso fico um tempo sem escrever, desculpem.
O que queria era estar sempre animada, mas não dá. Tem dias que até quem não tem a doença fica meio mal, imagina quando vc passa por tudo isso.
São momentos de muita reflexão e poucas palavras, não consigo conversar muito nesses dias, porque caio no choro.

Como diz o Chico Buarque :

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"

Um abraço,

Thaís

terça-feira, 24 de junho de 2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Tipo de Câncer

Minha recuperação está indo. Já faço mais coisas que antes e a cada dia consigo me mexer mais.
Resolvi deixar aqui um esclarecimento mais técnico da coisa, pois muitas pessoas podem estar enfrentando o mesmo problema e isso poderá ajudar.

O resultado da minha Biópsia (antes da cirurgia) foi o seguinte:

Carcinoma intraductal do tipo comedocarcinoma, grau nuclear 3.
Restante do parênquima com adenose simples e fibrose estromal.

Quando li isso fui procurar saber o que significava o tal grau nuclear 3, para meu espanto o câncer é classificado de acordo com a sua "gravidade" (de acordo com a velocidade que se prolifera) em grau nuclear de 1 a 4. Aí pensei puts, de 1 a 4, eu "tirei" 3 tô ferrada!
Não é bem assim, o grau nuclear 3 é quando o tumor afeta todo o membro e é muito grande, além de haver necrose de células. Mesmo assim eu associava como uma nota de prova escolar, ou seja para mim é como se eu tivesse acertado 75% da prova, uma nota relativamente alta!

O câncer de mama é classificado em 4 estágios:
I:Quando o tumor tem até 2 cm, sem qualquer evidência de ter se espalhado pelos gânglios linfáticos próximos.
II:Inclui tumores de até 2 cm, mas com envolvimento de gânglios linfáticos ou então, um tumor primário de até 5cm, sem mestástases.
III:Quando o tumor tem mais de 5 cm e há envolvimento dos gânglios linfáticos da axila do lado da mama afetada.
IV:Quando existem metástases distantes, como no fígado, ossos, pulmão, pele ou outras partes do corpo.

Meu tumor media 7,5 cm x 5,0 cm x 4,0 cm, ou seja a coisa era gigante!
Além é claro de ter afetado o linfonodo axilar esquerdo.
Não me perguntem como, mas nunca senti caroço nenhum no braço, mas retiraram 22 caroços dele o maior media 3 cm.
Tô quase requerendo o título de mulher melancia para mim, pois quem estava cheia de caroço era eu!
Agora estou aguardando o resultado do imunohistoquímico, um exame que vai dizer qual o melhor tratamento a seguir, se será quimioterapia, radioterapia ou hormônioterapia.
Outra coisa a esclarecer é que no primeiro ultrasson que fiz, o nódulo media 2,2 cm, quinze dias depois na primeira punção ele já media 3,5 cm, em 45 dias de 3,5 cm ele chegou às medidas supra citadas. Então minha gente, a coisa anda rápido. Entre ter o diagnóstico de carcinoma e ser operada se deram exatos 27 dias. Corri muito, ia no hospital quase que diariamente, cada dia um exame diferente, até estar pronta para a cirurgia.
Hoje vou novamente ao hospital fazer curativo.
Sexta-feira tirei os drenos, mas ainda não pude tirar o curativo, ou seja ainda estou toda enfaixada.
Me sinto bem, tenho mais dores no braço esquerdo, que esvaziaram, que nos seios.
No mais está tudo certo!
Até o resultado do próximo exame,

Thaís

quinta-feira, 19 de junho de 2008

A CIRURGIA


A cirurgia foi no dia 12 de junho, hoje faz uma semana!

Fui internada pela manhã, 07:00 horas, até dar entrada, aguardar a liberação do quarto e tudo mais, era mais ou menos 08:30. Aí começam a te preparar para a cirurgia. Vem uma enfermeira, te mede, te pesa, outra vem e traz a camisola aberta, outra recolhe os exames, até que chega um comprimidinho azul que te dá um sono...

Era 09:00 mais ou menos dei entrada na sala de pré anestesia (li isso na porta), lá haviam vários médicos e enfermeiros lançando os dados de meus exames no computador e de outros pacientes também. Lá colocaram um medidor no meu dedo. Às 09:30 exatamente saí dessa sala para a sala de cirurgia, comecei a conversar com dois enfermeiros, um era estágiário da USP (li isso no crachá dele), aí chegou o Dr. Adriano e em seguida o Dr. Juan, depois disso acordei oito horas depois num corredor com minha maca sendo levada para a sala de recuperação pós cirurgia.

É a sensação mais estranha. Lembro que eu queria falar mas as palavras não saíam direito, aí consegui perguntar alguma coisa e o médico que estava comigo me disse: _ A sua cirurgia já acabou está tudo bem, agora vc ficará aqui em observação antes de ir para o quarto.

Aí eu olhava para um lado - cheio de outras camas, ou macas, sei lá, camas com rodas são o quê afinal?

Muitas pessoas de um lado e outras tantas de outro.

Aí reparei que na parede havia uma numeração, naquela sala havia espaço para 10 ou 12 pessoas que estivessem em recuperação.

A pessoa que estava do meu lado direito logo foi embora e chegou uma senhora que havia feito a reconstrução de uma mama, 11 anos após a retirada da mesma. Contei da minha, mas eu mesma ainda nem sabia nada da minha.

Do meu lado esquerdo chegou um moço, 37 anos, não sei nome nem nada, nessa hora vc tá tão grogue que parece aquelas lembranças de um porre no dia seguinte. Ele teve sua perna esquerda amputada e reclamava muito de dor, eu nem perguntei o que tinha acontecido porque ele chamou o médico dizendo que estava sentindo a perna, aí pensei nossa, eu também tô sentindo será que era para não sentir? Só então que o médico disse a ele que é normal até muito tempo depois da pessoa ter um membro amputado que ela sinta o mesmo, e finalizou dizendo: _ Você vai sentir sua perna por muito tempo ainda. Ufa! Foi um baque! Fiquei muito preocupada e toda hora perguntava se ele queria que eu chamasse o médico. Não tenho noção de quanto tempo fiquei lá, mas chamei umas 3 vezes o médico para que tirassem sua dor, algumas vezes lhe deram morfina, outras diziam que ainda não podiam dar nada porque fazia pouco tempo da outra dose.

De repente puxaram minha maca e fui sendo levada ao quarto. É aquela sensação de filme sabe, você deitada naquela cama com rodas e aquelas luzes passando sobre você.

Cheguei no quarto e lá estavam: o Alessandro, minha tia Maga e minha irmã.

Ah! Esqueci de contar. No caminho percebi que o volume de meus seios era como se eu não os tivesse. Perguntei a enfermeira: _ O que foi que houve? Não colocaram o silicone? E ela disse, aqui não para saber vou dar uma olhada no seu prontuário e depois te falo. Só que o prontuário ficava no pé da cama/maca embaixo do colchão.

Aí percebi que algo não havia saído como o planejado.

O planejado era retirar a mama esquerda afetada por um tumor do tamanho de uma bola de tênis mais ou menos, retirar os linfonodos do lado esquerdo, que eles chamam de esvaziamento axilar, e depois retirar preventivamente a mama direita e reconstruir as duas mamas imediatamente com próteses de silicone.

Ocorre que toda a minha mama esquerda estava comprometida, tiveram que retirar toda ela, toda a pele, tudo, então não havia pele para segurar a prótese. Assim colocaram um expansor, o que é um expansor? É como se fosse uma prótese de silicone vazia, que o médico vai enchendo aos poucos com soro através de uma válvula até que a pele cresça novamente e suporte uma prótese de silicone. Isso demora menos de uma ano. Fiquei aliviada. Ninguém queria me contar, quem me falou foi o Alessandro, eu disse que já imaginava que algo havia sido diferente do combinado, sou muito curiosa, então já viu, juntando com meu sexto sentido...

Não fiquei chocada não. Antes de fazer a cirurgia entreguei meu corpo nas mãos dos médicos e um dia antes da cirurgia disse aos dois: _ Não se preocupem com cicatrizes, se precisarem abrir mais que o normal, o façam, confio em vocês, só quero que tirem essa coisa daí. Eles riram, pois a maioria das mulheres se preocupa demais com a estética. Eu a essa altura da minha vida, já estou muito mais preocupada em viver do que com a tal da estética.

Assim se deu a cirurgia. Estou bem, digitando devagar, mas digitando. O braço esquerdo dói muito. Ainda não pude tomar um banho de verdade, ai que saudade! Banho só da cintura para baixo, cintura para cima panos umedecidos e cabelos um dia sim outro não.

Já como sozinha, escovo os dentes, mas não consigo fazer coisas simples como colocar um brinco ou pentear os cabelos.

É isso, por hoje chega né.

Até a próxima,



Thaís

Tantas coisas acontecendo...

Tanta coisa acontecendo, vc vai descobrindo, ou melhor tendo a certeza de que algumas suposições que vc tinha na vida, não são apenas suposições: é a mais pura realidade! E olha que encarar isso é fogo!
Quero aqui agradecer algumas pessoas que me ajudaram muito enquanto estive internada. Em primeiro lugar à minha tia Maga, que foi como uma mãe de verdade para mim, me aguentou chorando as dores no hospital de madrugada, me deu banho, escovou meus dentes, nossa, sem palavras para dizer o que ela fez por mim. Agradeço a família dela também, pois abriram mão de sua presença para poder estar comigo.
Minha tia Mema que cuidou dos meus filhos enquanto fiquei no hospital, a Raquel e a Vânia, por toda força e carinho que me deram, a Neide uma colega dos tempos de faculadade que há anos não vejo, mas que tem se feito presente nessa minha batalha agradeço também a minha irmã que ajudou com meus filhos nesses 3 dias em que fiquei no hospital.
Agradeço a todos, do fundo do meu coração.
Não vou dizer toda vez que agradeço ao Alessandro (meu marido), porque ele sabe o quanto sou grata por tudo o que ele tem feito, sei que não tem sido fácil para ele, mas vou dizer uma coisa. Assim que descobri a doença, cheguei e conversei abertamente com ele, perguntei se ele ia aguentar a barra, disse que não seria fácil, e que se ele quisesse a gente acabava ali e em nenhum momento ele aceitou essa minha sugestão, disse que eu estava louca e que dizer isso era absurdo, afinal já passamos por tantas coisas nesses 9 anos, que isso tiraríamos de letra.
Seguindo...
Não sei mais como é não estar com câncer, afinal agora sei que tenho de ter diversos cuidados que antes nem sonhava ter.
O HOSPITAL A. C. CAMARGO é simplesmente MARAVILHOSO com seus pacientes, fui muito bem acolhida lá, me sinto em casa.
Nos dias de internação pude constatar que isso não é apensa impressão, lá todos enfermeiros, médicos, atendentes são muito atenciosos, tratam a gente com muito carinho.
Agradeço demais ao Dr. Juan, a quem tenho como meu Mestre nessa caminhada, que me deu força e confiança para correr contra o relógio e operar o mais rápido possível. O Dr. Maurício, que é o cirurgião plástico que reconstruiu meus seios e teve a sensibilidade de reconstruir apenas um, colocando um expansor no outro para que a pele cresça sem ser tão agredida e depois coloquem o silicone. Ao Dr. Adriano, que junto com o Dr. Juan foi mais um dos médicos que me operaram. Agradeço também à anestesista, e todos os demais especialistas pelos quais passei, afinal foram muitos.
Um OBRIGADA bem grande à todos vocês!