quinta-feira, 19 de junho de 2008

A CIRURGIA


A cirurgia foi no dia 12 de junho, hoje faz uma semana!

Fui internada pela manhã, 07:00 horas, até dar entrada, aguardar a liberação do quarto e tudo mais, era mais ou menos 08:30. Aí começam a te preparar para a cirurgia. Vem uma enfermeira, te mede, te pesa, outra vem e traz a camisola aberta, outra recolhe os exames, até que chega um comprimidinho azul que te dá um sono...

Era 09:00 mais ou menos dei entrada na sala de pré anestesia (li isso na porta), lá haviam vários médicos e enfermeiros lançando os dados de meus exames no computador e de outros pacientes também. Lá colocaram um medidor no meu dedo. Às 09:30 exatamente saí dessa sala para a sala de cirurgia, comecei a conversar com dois enfermeiros, um era estágiário da USP (li isso no crachá dele), aí chegou o Dr. Adriano e em seguida o Dr. Juan, depois disso acordei oito horas depois num corredor com minha maca sendo levada para a sala de recuperação pós cirurgia.

É a sensação mais estranha. Lembro que eu queria falar mas as palavras não saíam direito, aí consegui perguntar alguma coisa e o médico que estava comigo me disse: _ A sua cirurgia já acabou está tudo bem, agora vc ficará aqui em observação antes de ir para o quarto.

Aí eu olhava para um lado - cheio de outras camas, ou macas, sei lá, camas com rodas são o quê afinal?

Muitas pessoas de um lado e outras tantas de outro.

Aí reparei que na parede havia uma numeração, naquela sala havia espaço para 10 ou 12 pessoas que estivessem em recuperação.

A pessoa que estava do meu lado direito logo foi embora e chegou uma senhora que havia feito a reconstrução de uma mama, 11 anos após a retirada da mesma. Contei da minha, mas eu mesma ainda nem sabia nada da minha.

Do meu lado esquerdo chegou um moço, 37 anos, não sei nome nem nada, nessa hora vc tá tão grogue que parece aquelas lembranças de um porre no dia seguinte. Ele teve sua perna esquerda amputada e reclamava muito de dor, eu nem perguntei o que tinha acontecido porque ele chamou o médico dizendo que estava sentindo a perna, aí pensei nossa, eu também tô sentindo será que era para não sentir? Só então que o médico disse a ele que é normal até muito tempo depois da pessoa ter um membro amputado que ela sinta o mesmo, e finalizou dizendo: _ Você vai sentir sua perna por muito tempo ainda. Ufa! Foi um baque! Fiquei muito preocupada e toda hora perguntava se ele queria que eu chamasse o médico. Não tenho noção de quanto tempo fiquei lá, mas chamei umas 3 vezes o médico para que tirassem sua dor, algumas vezes lhe deram morfina, outras diziam que ainda não podiam dar nada porque fazia pouco tempo da outra dose.

De repente puxaram minha maca e fui sendo levada ao quarto. É aquela sensação de filme sabe, você deitada naquela cama com rodas e aquelas luzes passando sobre você.

Cheguei no quarto e lá estavam: o Alessandro, minha tia Maga e minha irmã.

Ah! Esqueci de contar. No caminho percebi que o volume de meus seios era como se eu não os tivesse. Perguntei a enfermeira: _ O que foi que houve? Não colocaram o silicone? E ela disse, aqui não para saber vou dar uma olhada no seu prontuário e depois te falo. Só que o prontuário ficava no pé da cama/maca embaixo do colchão.

Aí percebi que algo não havia saído como o planejado.

O planejado era retirar a mama esquerda afetada por um tumor do tamanho de uma bola de tênis mais ou menos, retirar os linfonodos do lado esquerdo, que eles chamam de esvaziamento axilar, e depois retirar preventivamente a mama direita e reconstruir as duas mamas imediatamente com próteses de silicone.

Ocorre que toda a minha mama esquerda estava comprometida, tiveram que retirar toda ela, toda a pele, tudo, então não havia pele para segurar a prótese. Assim colocaram um expansor, o que é um expansor? É como se fosse uma prótese de silicone vazia, que o médico vai enchendo aos poucos com soro através de uma válvula até que a pele cresça novamente e suporte uma prótese de silicone. Isso demora menos de uma ano. Fiquei aliviada. Ninguém queria me contar, quem me falou foi o Alessandro, eu disse que já imaginava que algo havia sido diferente do combinado, sou muito curiosa, então já viu, juntando com meu sexto sentido...

Não fiquei chocada não. Antes de fazer a cirurgia entreguei meu corpo nas mãos dos médicos e um dia antes da cirurgia disse aos dois: _ Não se preocupem com cicatrizes, se precisarem abrir mais que o normal, o façam, confio em vocês, só quero que tirem essa coisa daí. Eles riram, pois a maioria das mulheres se preocupa demais com a estética. Eu a essa altura da minha vida, já estou muito mais preocupada em viver do que com a tal da estética.

Assim se deu a cirurgia. Estou bem, digitando devagar, mas digitando. O braço esquerdo dói muito. Ainda não pude tomar um banho de verdade, ai que saudade! Banho só da cintura para baixo, cintura para cima panos umedecidos e cabelos um dia sim outro não.

Já como sozinha, escovo os dentes, mas não consigo fazer coisas simples como colocar um brinco ou pentear os cabelos.

É isso, por hoje chega né.

Até a próxima,



Thaís

5 comentários:

Manu disse...

Sei que é muito dificil, mais vc é uma mulher forte,decidida e determinada e sei que vc vai superar e está superando muito bem essa etapa da sua vida.
Te admiro muito pela sua garra. Parabéns...
O que vc precisar pode contar comigo.
Bjos...
Manu

marciatamaki disse...

Puxa, Thais, a sua historia ta servindo de incentivo a muitas pessoas... Admiro muita sua coragem e determinação...
Sempre achei vc autêntica... e agora vejo q realmente é uma mulher batalhadora... Adoramos vc... se precisar estamos prontos a ajudar!

Anônimo disse...

Thá,

Acho que esse momento em sua vida, esta servindo para você acreditar no que sempre te falei, você tem uma força tão grande, que nem mesmo você era capaz de saber como ela é poderosa, e agora você teve a prova disso. Por isso tenho certeza da sua total recuperação, e sei que tudo que esta acontecendo tem um propósito, você ainda irá ajudar muita gente com sua capacidade de enfrentar tudo isso e a sua generosidade que é sua marca registrada.

Um beijo enorme e não esqueça de marcar o dia para irmos juntas ao hospital, vou ficar esperando.

Alê

Anônimo disse...

Thaís,
Sei que você tem muitas pessoas torcendo por você e que te amam muito. Pode ter certeza, eu sou uma delas.
Desde muito tempo, quando nos conhecemos na VT de Mogi, pude compreender que você não passaria por esta vida desapercebidamente.
Você está fazendo a diferença.
Agradeço por compartilhar com você deste seu momento tão importante, e saiba que muitas pessoas serão acrescentadas com a sua experiência de vida. Sabemos que estamos aqui para sermos instrumentos de Deus, e quando entendemos isto, a benção é derramada sobre nós e nos torna verdadeiramente filhos de Deus.
Beijos apertados e cheio de carinho.
Mônica e Dominique

camilaa disse...

Thaís, muita força, muita luz, muita saúde.
Admiro você pela sua coragem, e tudo mais.
Um enoooorme abraço,
camila.